Três no Mundo

Três no Mundo
Sérgio, Jonas e Carol rumo ao Caribe e Europa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

De 01/12/2010 – Travessia Fortaleza - Tobago
Dia do meu aniversário!!! Pela segunda vez, passo meu aniversário navegando rumo ao Caribe. Que sensação boa!
A madrugada foi de navegação tranquila e linda como as outras, com bom andamento. Às cinco da madrugada completamos 500 milhas navegadas. Às 8:00 hs o piloto automático ficou “doido” e começou a navegar em zigue-zague, perdido. Desliguei-o, liguei novamente e nada melhorou. Liguei o motor para carregar as baterias, que estavam baixas. Lembrei que o amigo Antonio Lopes teve um problema parecido no Pegaoazul, durante o Cruzeiro Costa Leste. Tentei usar sua solução: desliguei o disjuntor do piloto por alguns segundos, liguei o disjuntor novamente, deixei as baterias ficarem cheias, o “Lázaro” esfriar e liguei novamente: FUNCIONOU!!! Foi o melhor presente que recebi de aniversário, pois ainda falta muito para chegarmos no Caribe e o Lázaro faz uma falta danada. A Rô e a Carol levaram o leme do Travessura no período de duas horas para o piloto esfriar e se saíram muito bem, mostrando que podemos contar com elas para o caso de problemas com o Lázaro.
Às 13:00 hs faltavam 1.074 milhas para Tobago e já cumprimos mais de um terço da distância em 3 dias. O vento diminuiu e daqui para a frente as médias cairão. Nas últimas 24 horas a distância percorrida foi de 177 milhas.
A minha festa de aniversário começou às cinco da tarde. Foi muito legal e balões coloridos que a Carol comprou no mercado enfeitaram o Travessura. Meu “bolo” foi uma lata de cookies, muito gostosos. O difícil foi acender as velas no cockpit, pois o vento as apagava toda hora, quando já não apagavam até o fósforo. Após usar uma caixa de fósforo para acendê-las, justamente o último palito conseguiu colocar fogo nelas e um “parabéns” a jato foi cantado, antes que elas se apagassem.
Após a festa o vento diminuiu e liguei o motor por 3 horas e meia para carregar bem as baterias e não deixar mais o “Lázaro” sem “comida”.
No início da noite o vento melhorou um pouco e conseguimos velejar com média de 6 nós, com mar calmo, muito calmo!

















De 30/11/2010 – Travessia Fortaleza - Tobago
A noite foi muito tranquila, com ótima velocidade e mar calmo. Uma “lua-de-barquinho”, parecendo um grande sorriso do gato de Alice no País das Maravilhas, nos acompanhou nos turnos quase metade da noite.
Às 7:45 hs comemoramos: acabávamos de atravessar a linha do Equador! Como eu estava cansado, deixamos a festa e o “batismo” para mais tarde.
O Antonio disse que estava adorando a viagem e que um de seus próximos desejos era ver baleias em Abrolhos. Talvez conseguisse ir no próximo ano. Mas não precisou esperar tanto e nem ir para Abrolhos. Às 11:45 hs cruzamos com duas baleias, que pareciam cachalotes, e passaram a 100 metros do barco! Não fazia nem uma hora que ele tinha expressado o desejo e logo foi realizado! Deve ser por causa das dezenas de estrelas cadentes que vemos todas as noites e que vão recolhendo nossos desejos secretos.
Fiz um arroz de bacalhau para comemorar a passagem do Equador. Ficou gostoso, ainda mais comido no barco!
Às 13:00 hs, faltavam 1.251 milhas para Tobago. Fizemos 189 milhas na singradura das últimas 24 horas e novamente pulverizamos o recorde do Travessura!!! A média foi de 7,9 nós!
O mar cresceu um pouco, com algumas ondas de até 2 metros, mas continua bem confortável. Estamos com a mestra no segundo rizo e a genoa parcialmente enrolada. E foi com essa configuração de velas que batemos o recorde. Por aí, dá para ver como se veleja por estes mares!
Fizemos a festa de passagem do Equador na parte da tarde. Improvisamos uma fantasia e Netuno subiu ao Travessura para batizar o Antonio “Peixe-Agulha” e a Rô “Peixe-Anjo”, além de recomendar cuidado aos seus mares e dar as boas-vindas ao hemisfério norte. Comemos umas coisas gostosas e abrimos a deliciosa cachaça que o Maurício do Alphorria nos presenteou para essa ocasião específica. Um golinho (pequeno, pois estamos em travessia) para nós e um para brindar Netuno e seus mares.
Parece que a cachaça fez efeito, pois Netuno acalmou mais o mar e a noite foi novamente muito tranquila. Os turnos da noite são maravilhosos e ficamos muitas horas nos deliciando com as estrelas do céu, totalmente visíveis sem luz alguma para atrapalhar. As noites dos navegantes de 500 anos atrás são parecidas com as nossas e nada mudou nestas paragens em cinco séculos.
Ligamos o motor por pouco mais de uma hora para carregar as baterias.



























































De 29/11/2010 – Travessia Fortaleza - Tobago
Recorde! À uma da manhã completamos 90 milhas de singradura em 12 horas, a maior do Travessura desde que o compramos. A lua estava linda e vimos um pequeno barco à nossa proa. Deve ser o barco da Virgínie, moça francesa que viaja sozinha.
Fomos ver a luz de navegação e conseguimos arrumá-la. Além de um mau contato no soquete, a lâmpada também estava com um filamento partido, mas que encostava e dava luz de vez em quando. Trocamos a lâmpada, arrumamos o soquete e em 15 minutos ela estava consertada.
Resolvemos tomar um banho de mar com o balde na proa. Isso é uma das coisas mais gostosas de uma travessia. É muito divertido e tira o “bode” do começo da viagem. O Antonio e a Rô, que estavam curiosos para fazer isso, adoraram e puderam conferir que não nos sentimos grudentos quando nos secamos logo com uma toalha.
Às 13:00 hs contabilizamos 183 milhas em 24 horas! É isso aí, o Travessurinha “voando baixo”!!!
Para o almoço, fiz uma carne de charque com batatas e arroz. O bom de ter o mar calmo é que todos ficam bem, podemos cozinhar algo gostoso e todos ficam bem alimentados. Parece que nossos amigos estão gostando da travessia! E são sortudos, pois os melhores dias de navegação que tivemos nesta viagem foram todos em suas companhias.
Pensamos em colocar o pau-de-spinnaker na genoa, para ela não bater no vento folgado. Ele estava travado e não consegui soltá-lo. Não faz mal, navegaremos mais orçados.
Liguei o motor desengatado por uma hora para carregar as baterias. Nossa velocidade é muito boa!












De 28/11/2010 – Travessia Fortaleza - Tobago
Não dormi muito bem, ansioso pela travessia. Logo cedo, o Antonio e a Rô nos chamavam no píer e embarcamos suas malas. Tomamos café e fomos resolver as últimas coisas que faltavam. Fiz a navegação, mostrando ao Antonio como fazê-la, resolvi alguns problemas de banco e tomamos um bom banho, com água doce abundante, coisa que será rara daqui para frente.
Com tudo pronto, fomos para o Travessura, onde prendemos as coisas que faltavam. O amigo Fábio, do Flyer, veio nos ajudar a soltar as amarras. O Jonas fez uma difícil manobra para tirar o barco da vaga, enquanto eu recolhia a âncora do Travessura. No abrigo do molhe do INACE, levantamos o bote e a vela mestra. Às 13:00 hs giramos o Travessura na direção da saída do abrigo e demos início a mais uma etapa importante desta nossa viagem: ir ao Caribe com nosso próprio barco e aproveitá-lo bastante!
O vento estava na faixa dos 15 nós e o mar calmo. Saímos com a mestra no segundo rizo e a genoa plena. A velocidade média era de 7 nós, muito boa! Quando estávamos a 10 milhas da costa, vimos duas jangadas recolhendo suas redes. Nossa, como eles se afastam da costa com esse tipo de embarcação! Há a famosa história dos jangadeiros que foram daqui até o Rio de Janeiro com sua minúscula embarcação, pedir ao presidente Getúlio Vargas melhora nas condições de vida dos pescadores.
Tentamos ligar nossa luz de navegação, que o Jonas arrumou em Fortaleza, mas ela não ligou. Achei melhor ir de olhos bem abertos e deixar para arrumá-la amanhã, para não arriscar um “homem ao mar” por bobeira, pois a noite está muito clara e podemos ver outras embarcações facilmente. O vento melhorou e a correnteza favorável nos fazia “voar baixo”!

De 27/11/2010 – Fortaleza
Acordei bem cedo e corri novamente na Polícia Federal, para colocar Rô e Antonio na lista de tripulantes do Travessura. Novamente, atendimento perfeito e atencioso. Nossos amigos chegarão amanhã de manhã, bem cedo. Soube na PF que esse documento de saída do barco e tripulantes, que diziam não ser necessário, é obrigatório agora para os veleiros que saem do Brasil. É rápido de tirar e basta levar os documentos de quem vai viajar e os documentos do barco.
Voltei ao Travessura e, após o café da manhã, recebemos a visita do Sérgio Luz, que nos ajudou outro dia. Ele visitou o Travessura e “pagou a pena”, deixando sua mensagem em nosso livro de visitas.
Aproveitei para abastecer de gás, água e diesel, que o Jonas foi buscar de carona com os amigos do Flyer.
No começo da tarde, recebemos a visita do Tuco e sua esposa Andréa, que sonham fazer uma aventura como a nossa algum dia. Muito simpáticos, conversamos bastante sobre viver à bordo e eles também “pagaram sua pena” e deixaram seu carinho em nosso livro de visitas.
Andréa teve que ir embora, mas nós fomos com o Tuco para a tão esperada visita ao INACE. Não é a primeira vez que visitamos o estaleiro, pois em 2006 fizemos uma visita e usamos seus seriços para arrumar o Cavalo Marinho, barco com o qual fomos ao Caribe. Mas a visita é sempre maravilhosa e, desta vez, teve um sabor ainda mais especial para o Jonas, que a fez com outros olhos: olhos de futuro engenheiro. Vimos o departamento de projetos, onde o Jonas “babou” com as plantas, fotos, maquetes e softwares usados na construção dos maravilhosos barcos do estaleiro, que é muito eclético. Da mesma forma que constrói barcos de trabalho, simples, funcionais e robustos, também constrói barcos de guerra para as Marinhas do Brasil e da Namíbia, com as especificações complicados e super-controladas de vasos de guerra. E ainda tem a linha de enormes trawler's de cruzeiro, fabricados em sua maioria para o mercado de exportação, onde o luxo e acabamento perfeito é requisito obrigatório. Tudo é feito no estaleiro, até a marcenaria. Chegam ao ponto de construir todo o interior do barco em madeira num galpão, para que o futuro dono do barco avalie e aprove, antes de montá-lo dentro do barco! Vimos por fora vários dos barcos que estavam sendo construídos simultaneamente em seus respectivos galpões e depois fomos convidados a ir ao píer, ver o novo barco da Marinha. Só que a visita não se limitou ao exterior do barco! Entramos no Macau e vimos alguns de seu equipamentos internos e o esmero e cuidado da sua construção.
Quando saímos do barco e já íamos embora, aconteceu uma surpresa. Os engenheiros estavam testando um equipamento confeccionado por eles para batizar o barco. A madrinha cortaria um cabo com uma machadinha e isso acionaria um braço metálico que giraria e quebraria uma garrafa de champanhe nos costado. Além disso, ainda giraria uma placa onde havia o nome do estaleiro e que, onde girada, se veria a inscrição “Bons Ventos, Macau!”. Bem, ninguém, dos muitos homens que trabalhavam no barco àquela hora, queria cortar o cabo e ser chamado de “madrinha” depois. A única mulher presente no local na hora do teste era a Carol. Dessa forma, Carol foi “intimada” a ajudar no teste e se tornou a madrinha informal do Macau. Por duas vezes cortou o cabo e falou: “Eu te batizo Macau. Boa sorte e bons ventos em nossos mares!”. O Macau tem tudo para ter muito boa sorte em suas navegações, pois sua primeira madrinha é uma bela e verdadeira marinheira! Pena que minha máquina fotográfica quebrou um pouco antes disso.
Após o teste, conhecemos o simpático comandante do navio, com o qual conversamos bastante e que se propôs a ajudar no que precisássemos na nossa viagem. Espero poder visitar o Macau em Natal, onde estará baseado, em nossa volta a Natal, no final do próximo ano.
Fomos fazer compras dos itens perecíveis no mercado e, também, uma máquina fotográfica nova, pois a nossa pifou na visita ao INACE. As fotos do batismo foram tiradas pelo Tuco e vou esperar que ele me envie para colocar no site. Achei uma máquina fotográfica submarina! Que bom, podemos fotografar agora com tempo ruim e, também, embaixo d'água. Voltamos ao barco e arrumamos tudo cansados. Não há mais lugar para colocar coisas! Amanhã, finalmente, zarparemos para o Caribe!!!












sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

De 26/11/2010 – Fortaleza
Na parte da manhã, fui com todos os velejadores que vão para o Caribe dar saída na Polícia Federal. Como sempre, o tratamento recebido na PF foi ótimo, rápido e eficiente. Só não dei a saída do Antonio e da Rô, pois não sei se eles conseguiriam o passaporte, pois teriam que tirá-lo em regime de emergência. Voltamos ao clube e, à tarde, recebi a notícia que os amigos de Natal poderiam ir conosco, pois já estavam com os passaportes na mão! Com a simpatia que lhes é peculiar, conseguiram os passaportes, com a promessa de passarem na volta no escritório da PF para mostrarem as fotos do Caribe!
Bem, com tudo ajeitado, fomos para o mercado comprar não perecíveis. Levamos quase quatro horas e fizemos nossa maior compra de mercado até hoje! Espero ficar sem fazer mercado grande no Caribe por um bom tempo. No final da tarde, houve uma reunião do pessoal que vai para o Caribe. Alguns pretendem sair amanhã e outros no domingo. Vamos na turma de domingo para esperar o Antonio e a Rô chegarem.
No final da tarde, recebemos a visita do Tuco, engenheiro naval que trabalha no INACE e que está acompanhando nossa viagem. Conhecemos também o Igreja, outro engenheiro naval, responsável pelos projetos do INACE. O Jonas conversou muito com nossos simpáticos novos amigos, que se mostraram muito animados em ver um jovem, como o Jonas, apaixonado pela engenharia naval. Convidaram-nos para uma visita amanhã ao estaleiro, que hoje colocou na água o novo navio-patrulha da Marinha chamado Macau, que o estaleiro acabou de construir.


Olá, Amigos!
Já estamos no Caribe. Vou atualizar aos poucos o blog nos próximos dias.
Abraços para todos;
Sérgio

De 25/11/2010 – Fortaleza
Esta manhã tive uma grande alegria: conversei por telefone com o amigo Luís Puig, que faz aniversário hoje. Esse amigo, que tanto nos incentivou e ajudou na viagem anterior, está brigando contra um câncer e as notícias médicas que recebeu na véspera do aniversário foram muito animadoras. Foi ótimo e emocionante falar com ele!
Outra notícia muito boa é que o Antonio e a Rô, que vieram conosco de Natal para Fortaleza, conseguiram ajeitar seus compromissos e vão tentar tirar documentação para irem conosco para o Caribe. Tomara que dê certo, pois esses amigos são ótimas companhias.
Aproveitamos a manhã de boas notícias e nos animamos a dar “aquela” limpeza no Travessura.